Ex-diretora de presídio nega relação com traficante e reforça envolvimento de político na fuga dos detentos

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
Ex-diretora de conjunto penal acusada de facilitar fuga de presos fala pela primeira vez Em meio à repercussão da delação premiada que firmou com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis repetiu que facilitou a fuga de detentos da unidade prisional após um acordo com o ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB) e negou que tenha tido um relacionamento amoroso com o traficante Ednaldo Pereira Souza, o Dada. As declarações de Joneuma Silva Neres foram dadas em entrevista exclusiva à TV Bahia, exibida no BATV desta quinta-feira (30). Ela cumpre prisão domiciliar depois de ter passado mais de um ano detida pelo envolvimento no crime. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia As ações de Joneuma, que admitiu ter feito "vista grossa" para a execução do plano de fuga, permitiu que 16 detentos deixassem o presídio de Eunápolis no dia 12 de dezembro de 2024. "Como está no processo, a facilitação da fuga se deu por um acordo entre o ex-deputado Uldurico Júnior e Ednaldo. (...) Após uma negociação com alguns valores, foi combinado que seriam R$ 2 milhões para facilitar, fazer uma vista grossa em relação ao planejamento dessa fuga. Foi ele [Uldurico] que negociou, me usou, para poder negociar essa fuga", frisou. Ex-diretora de presídio chegou a ser presa suspeita de facilitar fuga de 16 detentos na Bahia Arquivo Pessoal Segundo Joneuma, nunca foi dito que ela receberia qualquer valor. "Sempre ele dizia: 'É metade para mim e metade para o chefe'". Na delação, ela explicou que o "chefe" seria o ex-ministro Geddel Vieira Lima. À época dos acontecimentos, Uldurico era filiado ao MDB, partido que tem Geddel como uma de suas lideranças. Ambos negam as acusações. A ex-diretora também disse, na delação, que Dada fez um adiantamento de cerca de R$ 200 mil, entregue em caixas de sapato, além de transferências via PIX. Relacionamento amoroso e paternidade da filha Uldurico Júnior e Joneuma Silva Neres. Redes sociais Inicialmente, a investigação do MP-BA apontou que Joneuma teria vivido um relacionamento amoroso com Dada na mesma época em que também se relacionava com Uldurico. A ex-diretora nega o envolvimento com o chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). Na delação, ela disse que Uldurico passou a pressioná-la para ter mais contato com Dada depois que ele perdeu a eleição para a Prefeitura de Teixeira de Freitas e precisava de recursos financeiros. Em entrevista à TV Bahia, Joneuma argumentou ainda que as notícias sobre esse suposto relacionamento com Dada a prejudicaram muito. "Tanto que até cogitaram que minha filha fosse filha dele, e o que mais me prejudicou foi que o pai da minha filha, Uldurico, nunca se pronunciou que era o pai dela, mesmo sabendo que eu estava grávida desde outubro de 2024", criticou. Joneuma deu à luz enquanto estava no presídio e sempre apontou o político como pai da criança. Em nota, a defesa do ex-deputado disse que solicitou judicialmente a realização do exame, que não foi feito até o momento. Atualmente, ele está preso em uma cela comum da Penitenciária Lemos Brito (PLB). De acordo com ela, os dois se conheceram quando ela atuava como agente penitenciária na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas. Foi ele o responsável por sua indicação para comandar a unidade penitenciária de Eunápolis — a primeira mulher a assumir tal posto na Bahia. Mas a ex-diretora ressalta que o envolvimento amoroso só teve início em fevereiro de 2024, dois meses após a indicação, feita em dezembro de 2023. "Não foi uma coisa relacionada a outra, não. O relacionamento surgiu depois, não foi uma moeda de troca como muita gente acha". Juiz que acompanha o caso anda com colete à prova de balas A TV Bahia também entrevistou o juiz Otaviano Sobrinho, titular da 1ª Vara Criminal de Eunápolis, responsável por afastar toda a diretoria do Conjunto Penal quando a investigação sobre a fuga em massa teve início. Ele segue à frente do caso e passou a se proteger usando um colete à prova de balas dentro do fórum. "Chegaram informações de que seriam praticadas ações que pudessem, de alguma forma, causar, escandalizar a sociedade, mostrar o poderio frente ao Estado, inclusive com ameaças severas às autoridades constituídas que estariam nesse projeto, entre as quais eu fui incluído", relatou. Ele, então, recorreu à segurança institucional do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), com escolta de policiais e o uso do colete. Dada segue foragido com apoio do Comando Vermelho Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada Seap-BA O foco do plano de fuga era tirar Dada da prisão — Joneuma, inclusive, disse que o esquema previa a saída de apenas dois detentos, e não 16. Ainda assim, um ano e quatro meses depois, apenas três fugitivos foram alcançados. Dois deles morreram em confronto com a polícia e o terceiro foi recapturado. Os demais seguem longe do radar da polícia. Na última semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação com apoio do MP-BA para capturar Dada, mas sem sucesso. Embora o monitoramento feito pelo Ministério Público indicasse o paradeiro do traficante, ele conseguiu fugir antes de ser pego pelos policiais. Dada estava escondido na Rocinha, com apoio da facção Comando Vermelho, e tinha alugado uma mansão no Vidigal — comunidade vizinha — para curtir o feriadão de Tiradentes. Na fuga, deixou parentes e amigos para trás. Entenda como ocorreu a negociação, conforme delação de Joneuma ⬇️ Em 2 de novembro de 2024, Joneuma e Uldurico Júnior estavam em um hotel, em Eunápolis, quando o candidato a vereador Alberto Cley e a esposa dele trouxeram uma pessoa de confiança de Dadá, que saiu do veículo de Cley e entrou no veículo do ex-deputado federal. No veículo, estavam Uldurico Júnior (no volante), Joneuma ao seu lado, e a pessoa de confiança de Dadá no banco traseiro. Essa pessoa ligou do celular dela para Dada e realizou uma chamada em modo viva-voz. Na ocasião, foi firmado o acordo de facilitação da fuga em troca dos R$ 2 milhões. O valor seria pago em espécie no dia 31 de dezembro, na cidade de Porto Seguro, quando um funcionário de Dada levaria o dinheiro para a casa de um primo de Uldurico. No entanto, o ex-deputado federal informou que necessitava com urgência de um adiantamento de R$ 350 mil. Dada teria aceitado adiantar o pagamento de R$ 200 mil antes da data da fuga. Uldurico Júnior está preso desde quinta-feira (16) TSE Segundo a delação de Joneuma Neres, a entrega do dinheiro do adiantamento ocorreu da seguinte maneira ⬇️ Na noite de 4 de novembro de 2024, a ex-diretora foi sozinha a uma residência no bairro Juca Rosa, que tinha um adesivo com o nome “CLEY” colado no muro, parou o carro em frente à casa e uma pessoa da confiança de Dadá a entregou o dinheiro em uma caixa de sapato. No dia seguinte, ela entrou em contato com o pai de Uldurico Júnior, o político Uldurico Alves Pinto, via aplicativo de mensagens, perguntando onde deveria encontrá-lo para entregar o dinheiro. Joneuma disse que ela entregou o dinheiro, na mesma caixa de sapato, na casa do pai do ex-deputado federal, em Teixeira de Freitas, conforme acertado com ele. Informou que estavam presentes na residência o pai de Uldurico Júnior, a madrasta dele, uma funcionária doméstica e um assessor da família. O assessor teria conferido o dinheiro e o pai de Uldurico ficou com R$ 150 mil. Em relação ao restante do dinheiro, Joneuma disse que depositou R$ 21.600,00 na conta de Uldurico Júnior e realizou um PIX de R$ 24 mil para a conta de um outro homem. Simulação mostra como criminosos fizeram para resgatar 16 detentos de presídio na Bahia Depois do pagamento do adiantamento de R$ 200 mil, Uldurico Júnior teria passado a pedir que Joneuma intermediasse a comunicação com Dada. A ex-diretora informou que as reuniões que teve sozinha com o detento no presídio tinham o objetivo de realizar essa negociação e ganhar a confiança do traficante para que ele adiantasse mais valores. Joneuma afirmou ainda que o ex-deputado federal pediu mais R$ 100 mil de adiantamento, mas Dada negou e ressaltou que só faria o restante do pagamento após a fuga. Veja abaixo o que dizem as defesas dos alvos A defesa de Uldurico Júnior disse que todas as alegações da delação são falsas, com intuito de se livrar da responsabilidade. "Uldurico jamais teve conhecimento de plano algum de fuga, nem recebeu dinheiro nenhum por tal fato, o que pode ser facilmente comprovado. Tanto a defesa quanto o acusado estão colaborando com a Justiça para que a verdade prevaleça", afirmou. Já a defesa do pai dele, o também político Uldurico Alves Pinto, disse que pediu acesso aos autos da delação. "(...) Quando tivermos acesso aos autos poderemos nos manifestar sobre as alegações unilaterais e desmontar a alegação absurda", diz a nota. Em entrevista ao g1 quando a delação veio à tona, Geddel Vieira Lima também negou envolvimento com o caso. "Eu fui tomado de profunda indignação com esse negócio, de saber que a gente termina convivendo com criminoso e só descobre que a pessoa é criminosa depois que o crime aparece. Fui colega do pai e dos tios desse rapaz, ele foi candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, o partido [MDB] tentou ajudar... Sempre tratei ele com carinho e fui surpreendido com a delação dessa mulher, que eu nunca vi, não sei quem é, nunca tive relação", ressaltou o político. "Ela diz coisas não sobre mim, mas que ele disse para ela. No fundo, ele estava vendendo meu nome descaradamente para acalmar ela, como se eu fosse protegê-lo. O inquérito da polícia mostra quem recebeu o suposto dinheiro. O pai dele, outros vereadores, com PIX, e não faz nenhuma referência a mim". Para Geddel, Uldurico é "irresponsável, inconsequente e leviano". Ele disse que se sentiu "apunhalado". "Trata-se de uma conversa entre dois criminosos. Ele certamente vendendo meu nome para tentar acalmar a cúmplice dele nesse crime horrível que cometeram", acusou. Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que tem colaborado "de forma irrestrita" com todas as informações necessárias à investigação, desde que a fuga em massa ocorreu. O portal não conseguiu contato com as defesas de Alberto Cley Santos Lima, o Cley da Auto Escola, de Matheus da Paixão Brandão nem de Ednaldo Pereira, o Dada. LEIA TAMBÉM: Delatora afirma que ex-deputado pedia para retirar algema de traficante em reunião e cita 'bronca' que ele dizia receber de Geddel Presidente de Câmara, secretário de prefeitura e outros: quem acompanhava Uldurico Júnior em visitas a presídios Alvos de operação contra o CV no Vidigal que deixou turistas ‘ilhados’ em mirante são foragidos da Bahia; veja quem são Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻 e

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/04/30/ex-diretora-de-presidio-nega-relacao-com-traficante.ghtml


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