Júri condena envolvidos na morte de Mãe Bernadete a 40 e 29 anos de prisão em Salvador

  • 15/04/2026
(Foto: Reprodução)
Mãe Bernadete foi morta com 25 tiros em setembro de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho Reprodução/TV Globo Os dois homens que passaram por júri popular pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete foram condenados, nesta terça-feira (14), em Salvador, quase três anos após o crime. A decisão saiu por volta das 21h, após dois dias de audiência, no Fórum Criminal Ruy Barbosa, no centro da cidade. Apontado como mandante do crime, Arielson da Conceição dos Santos recebeu a pena de 29 anos e 9 meses de prisão. Já Marílio dos Santos, que é apontado como executor do crime está foragido, mas tem advogado constituído e, por isso, foi a júri, pegou 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), os dois foram condenados por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. Arielson também foi condenado por roubo. Julgamento do caso de Mãe Bernadete entra no segundo dia A dupla deverá cumprir a decisão em regime fechado. Apesar disso, não há detalhes ainda sobre o paradeiro de Marílio. Em nota, a Anistia Internacional, que tem acompanhado o caso, comemorou as condenações, mas destacou a necessidade da responsabilização dos demais. "A condenação dos réus deve ser reconhecida como um passo relevante, mas não pode servir para encerrar o caso politicamente nem para aliviar a pressão sobre o Estado. Justiça, neste caso, só existirá de forma efetiva quando houver responsabilização completa, reparação integral e mudança concreta nas práticas institucionais que seguem expondo defensoras e defensores à violência. A memória de Mãe Bernadete impõe ao Estado brasileiro não apenas o dever de punir, mas a obrigação de transformar. É por isso que reafirmamos: defender direitos não pode custar vidas". Relembre o caso O crime aconteceu em agosto de 2023, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Mãe Bernadete estava dentro da própria casa, com os três netos. Dois homens usando capacetes entraram no imóvel, tiraram os netos da ialorixá da sala e efetuaram 25 disparos. O inquérito policial concluiu que o crime foi cometido a mando de um chefe do tráfico de drogas na região. Ex-secretária da Igualdade Racial, ialorixá e mãe de quilombola assassinado: quem foi Bernadete Pacífico, morta a tiros na Bahia Ao todo, seis homens são suspeitos de envolvimento na ação, mas apenas dois deles foram julgados neste primeiro momento. Inicialmente, o julgamento havia sido marcado para 24 de março, mas foi adiado após o pedido da nova defesa dos réus, segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Investigações Seis homens são suspeitos de envolvimento no crime. Veja o que se sabe sobre a atuação de cada um deles: ➡️ Marílio dos Santos: apontado como chefe do grupo Homem apontado como mandante do assassinato de Mãe Bernadete é o único foragido entre suspeitos Divulgação/SSP-BA Chefe do tráfico de drogas da região, ele teria mandado matar Mãe Bernadete por causa da oposição que ela fazia às ações criminosas do grupo. Apesar de seguir foragido, a Justiça determinou que Marílio fosse a júri popular porque tem advogado constituído. ➡️ Arielson da Conceição dos Santos: suspeito da execução Está preso preventivamente e passou pelo júri popular nesta terça-feira (14). ➡️ Josevan Dionísio: suspeito da execução Josevan Dionisio dos Santos, conhecido como "BZ" ou "Buzuim", é suspeito de envolvimento na morte de Mãe Bernadete SSP-BA Josevan foi preso em setembro de 2025, dois anos após o crime, ao fazer a companheira e dois filhos reféns em Simões Filho. Ainda não há data para o julgamento. ➡️ Sérgio Ferreira de Jesus: suspeito de receptar os celulares No dia do crime, os celulares de Mãe Bernadete e dos familiares dela foram roubados. Sérgio teria sido o responsável por receptar esses aparelhos. Além disso, ele é apontado como instigador do crime, após um desentendimento motivado por uma bronca da líder religiosa. Ele teria apontado aos executores a melhor rota para matar a líder quilombola. Ainda não há data para o julgamento. ➡️ Ydney Carlos dos Santos de Jesus: suspeito de auxiliar no plano Mais um suspeito de envolvimento na morte de Mãe Bernadete é preso em Salvador. Divulgação/Polícia Civil Antes de ser morta, Mãe Bernadete teve uma discussão acalorada com Ydney, que era dono de uma barraca que realizava festas para comércio de drogas na região. Ele é apontado como uma das chefias do tráfico e suspeito de auxiliar no plano. Ainda não há data para o julgamento. ➡️ Carlos Conceição Santiago: suspeito de dar fuga Ele é suspeito de ter armazenado as armas utilizadas no crime e de ter dado fuga a Arielson. Ainda não há data para o julgamento. Família foi indenizada Estado e União indenizam família de Mãe Bernadete Janaína Galdino/Ascom PGE Em 2025, os familiares de Mãe Bernadete entraram com uma ação indenizatória contra a União e o Governo da Bahia. O processo aponta falhas que levaram ao homicídio da ialorixá e problemas que ocorrem depois do crime. O g1 teve acesso ao documento no qual a defesa da família pediu a quantia de R$ 11,8 milhões por danos morais para os três netos que estavam com a vítima no dia do crime e uma filha da liderança quilombola. A mulher é mãe dos jovens. Na época do crime, a ialorixá estava sob proteção da Polícia Militar (PM), por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) há pelo menos dois anos. Na ação indenizatória, há denúncias contra o governo federal, governo estadual e ao programa de proteção. Meses antes de ser morta, Mãe Bernadete falou sobre violência contra quilombolas em encontro com presidente do STF Em fevereiro deste ano, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que os pagamentos referentes à indenização aos familiares de Mãe Bernadete foram concluídos. Apesar disso, o órgão detalhou que o valor dos pagamentos é confidencial. O caso foi conduzido pela PGE e foi solucionada por meio de um acordo administrativo e o filho da líder religiosa, Jurandy Pacífico, destacou que a ação tem um caráter protetivo, além de simbólico. LEIA TAMBÉM: Filho de líder quilombola morta na Bahia diz que Bernadete Pacífico foi assassinada enquanto estava com três netos Bernadete Pacífico, quilombola assassinada na Bahia, estava sob proteção da polícia: 'que segurança é essa?', questiona advogado Caso Mãe Bernadete: STF derruba decisão do STJ e mantém condenação de homem que guardou armas do crime Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/04/14/juri-caso-mae-bernadete.ghtml


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