Três PMs são presos em operação que investiga mortes de adolescente e jovem durante ação em Salvador
17/07/2026
(Foto: Reprodução) Operação mira PMs investigados por mortes de adolescente e jovem durante ação policial
Três policiais militares foram presos nesta sexta-feira (17), durante a Operação Vinculum, que investiga os crimes de homicídio qualificado e fraude processual. Além deles, outros três agentes são investigados.
Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a apuração conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) aponta que o grupo executou o adolescente Kaíque Reis dos Santos, de 16 anos, e o jovem Mateus Daniel Chagas da Silva, de 21.
O crime aconteceu durante uma ação policial ocorrida no bairro de São Marcos, em Salvador, em setembro de 2025.
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Conforme apuração, além dos assassinatos, houve alteração da cena do crime, o que contraria a versão apresentada pelos policiais militares de que as mortes ocorreram durante um intenso confronto armado.
Ação policial termina com dois mortos em Salvador
Reprodução/Redes Sociais
Durante a ação desta sexta-feira, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, em residências e locais onde os investigados trabalhavam, na capital baiana e em Lauro de Freitas, na região metropolitana (RMS).
Segundo o MP-BA, a operação teve como objetivo da operação é reunir provas complementares para o inquérito. Os presos foram identificados em apuração da TV Bahia como:
Soldada Jamile Maiara Reis dos Santos (presa em Lauro de Freitas);
Cabo Arailton Climério Ferreira Júnior (preso no bairro Jardim Nova Esperança, em Salvador);
Soldado Tiago Costa Oliveira (preso no bairro Garcia, também na capital baiana).
A equipe de reportagem tentou, mas não havia conseguido contato com as defesas dos policiais citados até a última atualização deste texto.
Relembre o caso
Caíque dos Santos Reis foi uma das pessoas que morreu em uma ação policial em Salvador
Reprodução/Redes Sociais
As mortes aconteceram na manhã de 28 de setembro de 2025, no bairro de São Marcos. Na ocasião, a Polícia Civil informou que policiais militares realizavam rondas na região quando encontraram dois homens armados, que teriam atirado contra a guarnição. Segundo a ocorrência, houve revide e, após a troca de tiros, Kaíque e Mateus foram socorridos para o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), mas não resistiram aos ferimentos.
No entanto, moradores contestaram a versão apresentada pelos policiais. Um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou os dois baleados deixando o bairro desacordados, carregados por policiais e enrolados em lençóis, enquanto moradores protestavam.
Mãe diz que adolescente obedeceu ordem policial para colocar mãos para cima antes de ser morto
Reprodução/TV Bahia
Após a ação, moradores fizeram uma manifestação na Avenida Gal Costa, ateando fogo em objetos e cobrando justiça.
Em entrevista à TV Bahia na época, a mãe de Kaíque, Joselita dos Santos Cruz, afirmou que o adolescente era estudante, trabalhava em uma barbearia e começaria um novo emprego no dia seguinte. Ela negou que o filho tivesse qualquer envolvimento com a criminalidade.
Segundo a mãe, o jovem teria obedecido à ordem dos policiais para colocar as mãos para cima antes de ser baleado.
"Colocaram ele como traficante que foi encontrado com armas e drogas. Meu filho não traficava, não fazia nada disso", disse.
Na ocasião, a Polícia Militar sustentou que o adolescente morreu durante uma troca de tiros com equipes da corporação.
Policiais foram afastados
Três dias após o caso, em 1º de outubro de 2025, a Polícia Militar informou que os agentes envolvidos na ocorrência haviam sido afastados das atividades operacionais.
A corporação informou que os policiais prestaram depoimento individualmente, passaram por acompanhamento psicológico e permaneceram afastados das ruas enquanto eram realizadas as investigações.
Na época, a PM informou que a apuração ocorria em duas frentes: uma administrativa, conduzida pela Corregedoria-Geral da corporação, e outra criminal, sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Em nota divulgada naquele período, a Polícia Militar afirmou que não compactuava com desvios de conduta e que eventuais excessos seriam apurados, garantindo aos investigados o contraditório e a ampla defesa.
Agora, quase 10 meses após as mortes, a investigação avançou para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra os seis policiais militares investigados. Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos até o momento apontam para a hipótese de execução das vítimas e alteração da cena do crime, versão diferente da apresentada inicialmente pelos agentes.
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